ONUBA

 

Durante a época romana o actual território onubense constituía o extremo mais ocidental da Provincia Baetica. Não era um espaço homogéneo nem do ponto de vista físico nem no seu processo de romanização, já que a existência de três grandes realidades paisagísticas (Tierra Llana – Campina e Costa – Andévalo e Serra), aliada a uma tradição pré-romana diferenciada motivou um ritmo diferente na sua aceitação e com isso três modelos de povoamento específicos.
A Terra Llana, onde o processo foi mais rápido e simples, caracterizou-se pela sua vocação urbana, com a existência de quatro cidades (Onuba/Huelva, Ilipla/Niebla, Ituci/Tejada la Nueva e Ostur/Mesa del  Castillo) que, aliás, já vinham da Protohistoria, e que impulsionaram uma importante exploração dos abundantes recursos da campina e da costa; no Andévalo foi a exploração mineira que originou uma ocupação selectiva sempre em torno das minas de Riotinto e Tharsis, sem que se reconheçam assentamentos de carácter urbano; finalmente, na serra, a sua condição de fronteira com a Baeturia Celtica, obrigou Roma a levar a cabo uma política de reunificação dos tradicionais povoados pré-romanos em torno das duas únicas cidades de nova construção de que se tem notícia - Arucci e Turobriga - para, por um lado minimizar a oposição do mundo indígena muito influenciado pelos contactos lusitanos, sempre opostos ao domínio militar romano, e por outro  fomentar a rápida romanização de um território assente em formas de vida completamente distintas das que representavam Roma e o seu Império.

ASTIGI

 

Écija, a Colonia Augusta Firma Astigi romana, era a capital de um dos quatro conventos jurídicos em que se dividia administrativamente a província romana da Baetica. Este extensíssimo território, centrado no vale do rio Genil – principal afluente do Guadalquivir – estendia-se, em boa parte, pelas actuais províncias espanholas de Sevilha, Córdova, Málaga, Granada e Jaén. Na época romana, o conventus Astigitanus era composto, pelo menos, por 17 cidades principais, segundo a enumeração de Plínio na sua Naturalis historia. Entre elas, outras colónias, como Augusta Gemela Tucci (Martos), Ucubi Claritas Iulia (Espejo) ou Genetiva Urbanorum Urso (Osuna) e povoações tão longínquas como Iliberris (Granada) ou Aurgi (Jaén). Trata-se de um território onde na época romana predominava a agricultura, de cereais e, sobretudo, de olivais. Uma multiplicidade de villae rústicas salpicavam o conventus, muitas delas pavimentadas com ricos mosaicos, como a villa da Fonte do Álamo (Puente Genil, Córdova).
Especialmente entre os séculos I d.C e meados do século III d.C a exportação em grande escala de azeite para todo o império favoreceu o desenvolvimento de poderosas oligarquias fundiárias e, por consequência, o grande auge da economia de Astigi e seu território.
Grandes extensões de terras dedicavam-se ao cultivo do olival e o fabrico de azeite das fazendas dos grandes latifundiários era envasado em ânforas oleárias fabricadas nas olarias das margens do rio Genil (Singilis). Era por este rio que se transportavam as ânforas até ao porto de Hispalis (Sevilha) onde era então feito o transbordo para navios anonários marítimos. A prosperidade da cidade e das oligarquias latifundiárias estava, pois, estreitamente ligada à manutenção do sistema de abastecimento imperial (a Annona): o elevado número de produção e a reputação da mais alta qualidade do azeite bético garantiam lucros elevados, o que possibilitava manter grandes obras de infra- -estruturas, construções e gastos sumptuários.

 

 

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